Dependência tecnológica: como a pandemia agravou esse quadro

Para ilustrar o tema em questão, vamos começar com uma reflexão. Imagine-se na seguinte situação: você sai para uma viagem a lazer e chegando ao destino, percebe que esqueceu o carregador do celular.

Se a ideia de ficar um tempo distante da tecnologia te incomoda, talvez seja hora de repensar seus hábitos e se questionar a respeito da dependência tecnológica.

Nos últimos anos, a dependência tecnológica tem sido uma crescente tendência. O advento da internet e a criação dos tablets, smartphones e notebooks trouxe entretenimento e permitiu o fácil acesso à informação. Entretanto, surgiu também a compulsão pela tecnologia.

E no ano de 2020, devido ao isolamento social para conter a pandemia de Covid-19, essa situação se tornou ainda mais crítica. Com mais tempo ocioso, o brasileiro passa horas em frente as telas, seja a trabalho ou a lazer.

Veja a seguir o quanto somos dependentes da tecnologia e como a pandemia intensificou isso.

 

O que é a dependência tecnológica?

A dependência tecnológica, também conhecida como nomofobia, é considerada um quadro clínico. De acordo com os especialistas, o diagnóstico envolve principalmente a falta de controle no uso de tecnologias, podendo atingir níveis mais graves, quando o indivíduo tem medo de se distanciar do celular.

A disfunção tem sido estudada nos últimos anos, e alguns outros sintomas foram observados, como queda na produtividade e na sociabilidade, cansaço excessivo e irritabilidade.

As consequências também prejudicam o dia a dia de quem sofre do mal, pois o sono e a concentração são profundamente afetadas.

No Brasil, o Instituto Delete, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, tem estudado a dependência tecnológica. O aumento nos casos e na gravidade do quadro clínico são assustadores. Existem relatos de pessoas que precisaram de internação e desintoxicação para conter a compulsão.

Outro ponto negativo da dependência tecnológica é o agravamento de quadros de depressão e ansiedade. Hoje, os famosos digital influencers criam e divulgam um padrão de vida inatingível, no qual tudo são flores. E os dependentes tecnológicos ficam obcecados por atingir esse padrão, que na verdade nem existe.

Ao contrário do que muitos pensam, a dependência tecnológica vai além do vício em jogos ou redes sociais. Existem casos de compulsão por responder e-mails e atingir métricas impostas no trabalho.

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Como a pandemia de Covid-19 intensificou a dependência tecnológica

Durante o isolamento social, foi possível perceber que os quadros de dependência tecnológica se agravaram, devido a diversos fatores.

Note que com o home office, o tempo que antes era gasto com deslocamento já não existe mais. Por isso, com mais tempo ocioso, uma das tendências é que o número de horas à frente de uma tela aumentem, seja para assistir TV ou usar redes sociais.

Outra mudança promovida por essa nova forma de trabalho é que grande parte do tempo se concentra a olhar para o computador. Antes existiam as reuniões presenciais, intervalos para um café e até mesmo as interações interpessoais durante o trabalho.

Agora, o trabalhador passa quase a totalidade da sua jornada trabalhista conectado e tem mais tempo ocioso, fatores que tornam a dependência tecnológica ainda mais propícia.

A pandemia apenas confirmou o que já sabíamos: somos dependentes da tecnologia. No entanto, em meio a tudo isso, existe um lado positivo.

 

Novas formas de consumo

O isolamento social promoveu uma verdadeira mudança de hábitos, que inclui desde lavar todos produtos comprados no mercado, tirar os sapatos antes de entrar em casa até mesmo uma nova forma de consumir.

De acordo com a pesquisa Facebook IQ, os hábitos de consumo do brasileiro mudaram em decorrência da pandemia e do isolamento social. Com a recomendação para permanecer em casa a maior parte do tempo, os consumidores passaram a pesquisar e comprar produtos pela internet.

Entre os entrevistados, 28% indicaram que estão fazendo mais compras online depois da pandemia, principalmente nos aplicativos de comida e mercado.

A pandemia nos levou a consumir de uma forma mais consciente e segura. Um bom exemplo disso é a compra de alimentos por meio dos aplicativos de entrega, uma forma de ter comida em casa sem precisar se deslocar. O que só é possível graças a tecnologia.

 

A tecnologia conectando pessoas

Também podemos notar que nos últimos tempos, a tecnologia, que antes afastava e isolava, teve um papel fundamental na conexão de pessoas. Se não fossem os aplicativos de bate papo, muitos familiares e amigos não teriam mantido contato durante a pandemia.

Ligações de vídeo foram a única forma de matar a saudades e de certa forma, manter-se perto, apesar do distanciamento social.

 

É tudo questão de equilíbrio

Definitivamente, nossas relações com a tecnologia não serão as mesmas depois que toda a situação normalizar.

Mas é importante que a partir de agora, todos nós passemos por um momento de reflexão a respeito da dependência tecnológica.

Para finalizar, deixamos aqui a seguinte sugestão de repensar seus hábitos: estou ultrapassando os limites do uso da tecnologia? Será que a tecnologia tem me ajudado ou atrapalhado?

Use essas respostas como direcionadores de uma vida mais saudável e equilibrada.

 

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